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segunda-feira, 6 de março de 2017

A looooooonga espera pelo Positivo

Prometi a mim mesma que dessa vez não faria ABSOLUTAMENTE NADA de atividade física até o dia do exame de sangue. E assim o fiz.

Parei Acroyoga, não dei aula de Neopilates, não fiz yoga (só meditação), não caminhei na praia por pelo menos uns 5 dias. Fiquei na cama improvisada na sala, lendo, trabalhando na parte administrativa do meu negócio, falando com minha família pelo celular, vendo tv... me distraindo de alguma forma. Nem da cozinha eu cuidava. Meu marido trazia almoço da rua todo dia. Fiz uma semana de repouso absoluto.

Sim, pode parecer exagero, mas me comprometi com esse propósito, e fiz. Podem me julgar.


Fiz uma diário sobre os sintomas que tive nesses dias de espera, mas o mais gritante é a ansiedade. Li muitos blogs, muitas histórias como a minha, e por isso resolvi escrever a minha própria. Um dia mostrarei para meus filhos como amei, tive fé e coragem para concebê-los. 

Foi uma fase em que me senti muito sozinha. Apesar da minha irmã e da minha mãe saberem, às vezes parecia que estava sobrecarregando as pessoas com esse assunto, com meus medos. Achava que meu marido não aguentava mais me ouvir falando disso.

Então, ler as histórias de quem já tinha passado por isso me ajudava...

A seguir, meu diário dos sintomas, das bobagens que fiz, dos remédios que tomei, tudo. 

Diário pós TEC:

Medicamentos diários:

Primogyna 2mg - manhã e noite
Ultrogestan 200mg - manhã, tarde e noite
DTN fol - manhã
AAS infantil - manhã

D0 (sábado - 21/1/17) - dia da transferência. Nenhum sintoma. Repouso absoluto.

D1 (domingo) - cólicas leves constantes. Mantive repouso. Levantei só pra comer e tomar banho. Tomei 2 advil (NÃO TOMEM!! É PROIBIDO!! Eu que fiz merda mesmo)

D2 (segunda) - dor de cabeça leve à tarde. Meditei, trabalhei sentada no computador de manhã. Repouso à tarde.

D3 (terça) - cólica leve o dia todo. Algumas pontadas mais fortes, principalmente à tarde - cama o dia todo.

D4 (quarta) - cólicas leves no fim da manhã. Dor de cabeça e cólica leve à tarde. Dormi muito mal. De manhã lavei roupa, estendi, fiz almoço e lavei louça. Deitada a tarde toda.

D5 (quinta) - cólicas fortes do meio pro fim da manhã. Dor profunda no baixo ventre. Tonteira no almoço (o clima tá muito quente), fraqueza e indisposição. Levantei pra fazer o almoço. Seios doloridos. Subi escada duas vezes.

D6 (sexta) - insônia e noite. Manhã sem sintomas, só um leve enjôo matinal. Arrumei o armário e fiz almoço. Subi e desci escadas 3 vezes. Á tarde, pontadas estranhas do lado esquerdo. Dor de cabeça leve. Gases. Bicos dos seios doloridos. Ansiedade.

D7(sábado) - insônia de novo.Praia de manhã. Cólicas no almoço e à tarde. Tomei 2 advil (REFORÇO QUE NÃO TOMEM). Seios doloridos, tonteira, irritabilidade.

D8 (domingo) - tive dor de dente intensa de madrugada e foi aí que descobri que advil NÃO PODE! Descobri que é abortivo e causa má formação. Fiquei mal o dia todo.Acordei enjoada. À tarde senti cólica, tonteira e dor de cabeça leve. Mal estar (pode ter sido emocional), a dor nos seios diminuiu um pouco. Ansiedade. À  tarde senti tonteira, arrepios, indisposição. Medi a temperatura e tava 37 graus, Tomei um paracetamol. (VI que a temperatura alta pode ser bom indicador)

D9(segunda) - dormi muito bem e acordei bem disposta. Passei a manhã na rua e fiquei muito cansada. Tomei um paracetamol à tarde por causa de dpr de cabeça intensa. Muita tristeza e angústia à noite.

D10 (terça) - fiz um teste de farmácia coma  primeira urina da manhã e deu positivo!!! Fiquei radiante, sem acreditar!! Uma cruz beeeem leve apareceu, mas tava láááá!!! Dei aula de manhã e senti muita cólica. Passei a tarde deitada em casa. Cansaço nas pernas e fadiga. Cólicas intensas.

Olha a cruz aí, gente!!!

D11 (quarta) - acordei super cedo. Enjoada no café da manhã. Comprei outro teste de farmácia e fiz com a segunda urina e deu positivo de novo (entre 1 e 2 semanas - aquele clear blue). Aniversário da mina mãe, e ela ganhou de presente essa foto linda!!! Senti muita fraqueza no almoço. Passei a tarde deitada. Cólica bem no baixo ventre a tarde e uma borrinha caramelo bem leve.

Coça o olho e vê de novo!! É verdadeeee!!!


D12 (quinta) - dia do beta. Fomos juntos ao laboratório. Dei aula de manhã.Senti cólicas e passei o resto da tarde deitada. O resultado saiu as 17h. Entrei na internet e vi lá que estava disponível. Liguei pro meu marido e ele disse pra só abir com ele em casa. Senhooooorrrr!!! Achei que ia morrer!! Não demorou muito e ele chegou super ansioso!! Abrimos e lá estava o resultado!! Valor: 145!! Abraços, beijos, orações de agradecimento e muito amooooorrr!! Comemoramos com pizza!!!

D13 (sexta) - reunião com minha equipe de manhã e o resto do dia deitada. Enjoei de ovo, tapioca e queijo (tudo que sempre comi). Poucas cólicas. Passei meus horários de aula. Só vou manter 2 aulas por semana.

D14 (sábado) - passamos a manhã arrumando as coisas em casa. Senti cólicas e passei a tarde deitada.

D15 (domingo) - prainha de leve. Churrasquinho em casa. Dor de dente de novo. Sem cólicas . 2 paracetamol pra aliviar a dor. Preciso demais arrancar esse dente, mas só depois que meu médico me liberar!

D16 (segunda) -  consegui comer ovo depois de tanto tempo. Senti cólicas fortes de manhã depois de tentar passar roupa. Melhor ficar quieta. Passei a tarde de repouso e tomei 1 buscopan pra aliviar.

D17 (terça) - dei aula de manhã e foi tranquilo e à noite fui ao estúdio me despedir dos meus alunos e foi tranquilo. Fui ao meu GO pra começar o pré natal. Achei que ia fazer a primeira ultra, tava super ansiosa!! Levei meu marido comigo. Mas chegando lá ele só me mandou fazer um monte de exame e me deu o pedido pra ultra.

D18 (quarta) - fui à praia cedinho caminhar com meu marido. Uma delícia. No fim da tarde senti cólicas intensas mesmo tendo ficado de repouso durante a tarde.

Passei o restante dos dias nesse reme-reme de cólicas e dias bons.

Consegui marcar meu médico da FIV dia 23/3/17, mais de um mês depois, pois ele estava viajando. Ele deixou uma médica para um SOS, mas não vou negar que me senti um pouco mais ansiosa por não conseguir falar com ele. Ele sempre foi muito acessível, inclusive por whatsapp. Minha sorte é que não senti nada demais.




segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Ano Novo, nova chance

2017 começou muito bem! Fizemos uma festinha bem VIP só com uns casais bem amigos mesmo. 

Aproveitamos o dia 31 de dezembro com força! Muita praia, muita cerveja! Daquele jeito!!
Viramos o ano na praia, entre amigos, só amor, pulamos ondas, ficamos sozinhos, fizemos promessas de nos amar sempre, independente das barras que enfrentaríamos nessa vida louca.

Seguindo o conselho do meu médico, parei o anticoncepcional no dia primeiro.

No dia 4 fiquei menstruada. Ele me mandou iniciar o Ultrogestan 3 vezes por dia e o Primogyna 2 mg, 2 vezes por dia. Fui umas duas vezes no consultório pra fazer a ultra e marcamos a transferência. Seria um sábado. Na última visita fizemos um procedimento que não me lembro bem o nome, mas era uma raspagem no útero pra deixar tipo uma caminha pros embriões ficarem melhor. Doeu, mas nada demais, foi na clínica mesmo, e me deixou com cólica o resto do dia. 

Organizei tudo em casa, no trabalho, pedi substituição para não ter que dar aula. Contei para o mínimo de pessoas possível, somente o necessário mesmo.

Dia 21/1/17 chegou. Fiz uma promessa com meu marido de que até o dia do beta não iríamos beber uma gota sequer de álcool.


Cheguei à clínica e tomei  um chá de espera. Ao chegar, a energia boa do meu médico tirou toda a ansiedade que eu sentia. Ele me deu um beijo na testa e disse bem confiante: "Dessa vez, vai!" Estávamos todos acreditando muito!

Fui colocar meu avental e fiz uma ultra pra ver a bexiga. Tava cheia demais!hahahah Voltei pra fazer um xixi e enfim fui pra sala para ser preparada pra transferência. Pela primeira vez eu e meu marido fizemos uma oração juntos. Pedimos a Deus que nos ajudasse a aumentar nossa família!

Uma menina muito delicada fez a limpeza da região, porque o ultrogestan fica saindo e deixando tudo melecado de branco.rs As biomédicas estavam empolgadas com nossos lindos embriões de 3 dias, um de 12 e outro de 8 células. 

E lá vem o doutor com seu ritual de entrar com o pé direito na sala, quase morri de rir, já tava tão acostumada com aquela situação que me sentia confortável. Em seguida meu marido lindo entra e se posiciona do meu lado esquerdo, no mesmo lugar de sempre, aperta minha mão com tanta força que parece que vai quebrar meus ossinhos. Do lado direito a Tv do ultrasson mostrando meu útero e a bexiga., a tv da frente mostrando os bebezinhos que entrariam ali.

Fechei os olhos e rezei, rezei muito. As lágrimas escorriam mesmo sem eu querer. Deixaram só eu e meu marido ali naquela salinha por uns bons 20 minutos. Nos amamos com os olhos, nos beijamos, apertamos, rezamos, concebemos nossos filhos. Foi lindo, mágico, intenso.

Das outras vezes eu estava tão nervosa que não curti esse momento. Dessa vez foi diferente. Sentimos a presença de Deus ali, naquele momento.

Depois passamos mais uma horinha no quartinho e fomos liberados.

Fizemos nossa viagem de volta com muito cuidado. Passei o resto do dia na cama, sendo mimada pelo  meu amor.

Mantivemos os remédios, só acrescentamos o AAS infantil, 1 vez ao dia.

Aqui começava a longa espera pelo beta. Seriam os 12 dias mais longos da minha vida.


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Segunda FIV, todas as esperanças ali

A primeira FIV foi em abril de 2016. Achamos que iríamos passar o dia das mães comemorando. Mas aí alguma coisa deu errado e não engravidamos.

Viajamos de férias pra Chapada Diamantina, fizemos uma trilha sensacional até o Vale do Pati, revitalizamos as energias nas cachoeiras e depois fomos passar uns dias em Itacaré. Fica mais fácil superar assim, né?



Na verdade, amiguinhas, fivetes, tentantes, ou seja lá como vocês se definem, o importante mesmo nessa fase da sua vida é a relação que você tem com seu marido. Como disse anteriormente, para meu marido esse sempre foi um problema NOSSO, não MEU. Então, cada dor, cada angústia, cada dúvida era nossa. Conversávamos, chorávamos, ríamos, tudo sempre juntos. E nos prometemos que independente de qualquer coisa estaríamos sempre um do lado do outro.

Marcamos nossa próxima tentativa. Seria em julho. Pensamos que passaríamos o dia dos pais comemorando . Dessa vez ia dar certo!

Como já tínhamos embriões congelados, foi bem mais simples e rápido. Tomei alguns medicamentos pro útero se preparar pra receber os bebês. Primogyna e Ultrogestan, meus amiguinhos de sempre.

Chegado o dia, repetimos tudo. Bexiga cheia, salinha de espera, mãozinhas dadas, pé direito antes de entrar na sala, embriões lindos (dessa vez de 5 dias), biomédicas felizes e o Divino Espírito Santo solicitado novamente. Dessa vez senti dor na hora da transferência e já não gostei.

Eu estava menos esperançosa. Mas estava lá. Já tínhamos férias marcadas pra setembro e eu ficava pensando como viajaria pra Indonésia grávida, mas eu viajaria e ponto.

Passados os procedimentos e o descanso, voltamos pra casa. Não dei aula, não treinei, mas durante a espera tive que fazer a mudança do meu estúdio. E fiz. Sobe e desce escada,  carrega um pesinho aqui outro ali. Estresse. Mas enfim, deu tudo certo no estúdio.

Chegou a hora do beta. Meu marido que viu, não tive coragem. Outro negativo. Outro zero.

Outra menstruação. Mas essa atrasou, então fiz outro beta. Não queria acreditar. Era zero mesmo. Meu médico ficou super triste. Nós ficamos super tristes.

Não tinha mais embriões. Teria que começar tudo de novo...

Ainda bem que iríamos pra Indonésia... precisávamos de férias. 



A primeira FIV a gente nunca esquece

O ano de 2016 começou com tudo!

Retirei a trompa esquerda no finalzinho de dezembro e a recuperação foi bem melhor, mais rápida e menos traumática que a primeira.

Minha irmã estava aqui com meu cunhado e eles me ajudaram a passar por isso de uma forma bem leve. No dia da minha alta, que foi no dia seguinte da cirurgia, fizemos um churrasco e até vinho eu tomei...


Eu não sou muito fã de ano par não, sabe... tenho essas paradas supersticiosas mesmo, mas eu queria muito tentar. Então, passado o carnaval que curtimos intensamente-loucamente-como-se-não-houvesse-amanhã, fui procurar o médico especialista indicado pelo doutor Bernardo (meu médico do interior).

Na primeira consulta já simpatizei muito com ele. Doutor Marco, um senhor bem humorado, positivo, que olhou meus exames e falou: Partiu, gata!!! Bora botar esses meninos pra dentro. Eu estava morrendo de medo de ter que repetir os exames malditos (eu já expliquei sobre eles no outro post). Mas ele estava super confiante, fez um ultrassom, falou que eu era jovem e que tudo daria certo. Meu marido foi comigo nessa e em todas as outras consultas. No mês subsequente, viajamos cerca de 6h, uma vez por semana para fazer o acompanhamento.

Sinceramente, não me lembro o nome de nenhuma vacina que tomei. Mas foram umas 10 injeções na barriga, uma por dia, que eu mesma aplicava. No final me deu um nervosinho e meu marido passou a aplicar pra mim. Essas injeções são pra hiperestimular os ovários a produzir bastantes óvulos que serão aspirados na próxima etapa.


Nesse período das picadinhas eu tive que me controlar. Não pode correr, pular, ficar de cabeça pra baixo... SENHOOOORR!!! Tudo que eu amo fazer!! Mas segundo meu médico, há uma possibilidade de o ovário torcer e necrosar. É pequena, mas há. Então fiquei quieta e sosseguei o faixo.

Passada essa fase, que acompanhamos por ultrassom - Sim, continuávamos pegando a estrada só pra fazer o US. Normalmente dirigíamos duas a três horas, ficávamos 5 minutos com o médico e dirigíamos mais duas a três horas até nossa casa. Foi cansativo mas a gente tava lá, firmes e fortes - marcamos a aspiração dos óvulos.

Essa parte foi tranquila. Foi feita na clínica mesmo. Como eles dão anestesia, você nem sente nada. É bem de boa. No final tinha um lanchinho, fiquei repousando uns minutinhos pra passar o efeito da anestesia e voltei pra casa. Day off.


Desde minha primeira cirurgia que amo anestesias! hahahhaha Parece que cortam um pedaço da sua vida. Você não lembra de nada mesmo!! Eu adoro!!

Fomos pra casa aguardar o dia que ficaríamos grávidos. Acho que foi tipo 1 semana depois.
Produzi 12 óvulos, dos quais 8 vingaram e desses apenas 4 evoluíram bem. Pouco, né? Também achei, mas estava tão certa de que iria dar certo que já tinha era filho demais!! 

Mulher jovem, útero bom, só o caminho que tava comprometido. Ia dar tudo certo.


Enfim chegou o dia. A única exigência era a bexiga cheia. Cheguei lá tão apertada que tive que aliviar um pouco.

Fomos pra salinha. Era chegada a hora de engravidar. Dessa vez não tinha anestesia não. Meu marido estava lá segurando minha mão o tempo todo. Meu médico entrou na sala com o pé direito. As biomédicas estavam super felizes com os embriões. Uma energia sensacional. Foram colocados 2 embriões de 3 dias (podem ser de 3 ou 5 dias de maturidade, depende do seu médico). Meu médico pediu a iluminação do Divino Espírito Santo na hora H.

Após o procedimento indolor, fomos deixados na sala. Nossa nova família. Nós 4. Fizemos uma prece agradecendo a evolução da ciência. Somos jovens. Acompanhamos o primeiro bebê de proveta na TV, e agora éramos nós precisando dessa tecnologia pra aumentar nossa família. Estávamos grávidos.

Ficamos uns 20 minutos lá dentro e aí me levaram de cadeira de rodas até o quarto. Fui liberada pra fazer xixi e parecia as cataratas do Iguaçu. Por um momento achei que os bebês iam sair na urina, mas isso não tem nadaaaaa a ver!!! Ficamos cerca de 1 hora no quarto, lanchando e descansando. Fomos liberados pra voltar a nossa cidade no mesmo dia.

O médico pediu 2 dias de repouso antes de voltar às atividades normais. Mas minhas atividades não são normais. Era sábado. Passei o fim de semana na cama. Na terça eu já estava piruetando, ficando de cabeça pra baixo... na quinta dei 12 aulas de Neopilates. 

Durante todo o tempo de espera senti coliquinhas, mamas inchadas, desejos, enjôos, azia. Todos os sintomas de gravidez. Eu estava tomando primogyna e ultrogestan 3 vezes por dia. Eles eram os responsáveis pelos sintomas.

Chegou o dia do beta. Quantitativo. Deu 0. Acabou.

No dia da menstruação ela veio. Sem atraso.

Eu chorei, meu marido chorou. Como nunca choramos. Uma catarse.

Mas decidimos seguir em frente. Iriamos tentar de novo. E logo.