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sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Gestando um elefante

Você sabia que a gestação de um elefante dura de 18 a 22 meses? Não? Pois acredite, dura. E, por várias vezes, penso que tem um elefantinho aqui dentro.

Na verdade, não sei se já contei, mas esse serumaninho aqui é filho de baiano, pae...


Claro que quando você chega a 35 semanas de gestação a pressão começa. Por todos os lados. Não adianta você explicar que a gestação humana dura 42 semanas, que está tudo indo bem, que você está aguardando ansiosamente também... nada disso adianta, acredite.

Começam a te olhar feio, porque você tá dirigindo, fazendo exercício, não inchou ainda, sua barriga não desceu, seu filho é preguiçoso, o filho de não sei quem nasceu enorme com 29 semanas, você não vai conseguir ter parto normal, ele tá grande, ele tá gordo, ele tá sofrendo... gente, é tanta coisa que dá pra fazer um post só disso.

E aí, a não ser que você seja a monja criada em um mosteiro budista meditando 32 horas por dia, uma hora você vai se emputecer.

A paciência e a gestação são inversamente proporcionais. (Pereira, Waleska)

Mas aí você vai levando porque não tem mesmo o que fazer. Dias melhores, dias piores.

Neste momento que escrevo, estou com 39 semanas e 2 dias. Teoricamente, tenho até dia 18/10 para parir, mas vou relatar o que está acontecendo. Choque de realidade, baby.

Vamos começar pelos sinais/sintomas físicos:

Estacionei nos 13kg a mais, coma glória de Deus. Aquela fome louca passou. Como normalmente agora. Mas, não me privo de absolutamente nada. It means, como doce todo dia. Sinais clínicos normais, tá gente? Vou ao médico semanalmente, e minha altura uterina parou em 33,  que quer dizer que meu bebê não está crescendo loucamente. Na última ultra, há 3 semanas, ele media 50 cm e pesava 3,3kg. Mas, ultra não é balança, então é um valor aproximado.

Ainda estou na yoga, caminho 1 hora, faço sexo do jeito que dá, agacho, faço flexões, cuido da casa, passo roupa, dirijo, faço drenagem 2 vezes por semana. Ou seja... vida normal. 

A barriga pesa um pouco, mas a gente dá um jeito.

Com relação a sintomas de trabalho de parto:

 - não saiu tampão
- sinto contrações dolorosas muito esporádicas 
-meu bebê mexe com frequência
- dor no púbis
- dor na perereca
- dor no ânus (de vez em quando)
- diarréia às vezes, outras vou ao banheiro 3 vezes por dia, outros dias, normal, 1 vez
- xixi aumentou durante o dia, mas só vou 1 vez à noite
- fiz exame de toque essa semana e ele não está encaixado
-pouco ou nenhum inchaço

Psicologicamente:
- não chorei mais sem motivos
- sou uma pessoa grosseira que dá respostas atravessadas
- tenho vontade de mandar as pessoas (não leia em voz alta) tomar no cu
- já ameacei várias vezes meu filho, se ele não sair, eu vou racionar os insumos necessários a sua sobrevivência 
- não converso com ele o suficiente
- a avó materna dele (minha mãe) chegou, o que pareceu me desestabilizar mais do que ajudar.


Agora vem a parte tensa.

Você passa meeeeses se preparando psicologicamente pra parir. Parir de um parto NATURAL, sem intervenções, procura um médico que faça isso (não é tão fácil assim), aprende termos como empoderamento, parto humanizado, episiotomia, parto induzido, violência obstétrica e por aí vai...

Aí, quando você tá de finalzinho mesmo, vem seu médico e lança: "O que você pensa sobre induzir o parto? Não gostaria que você chegasse a 41 semanas, pois aumentam os riscos de intervenções, e semana que vem você já faz 40..." O que eu penso? Ora, doutor, eu penso que é uma merda!! Que eu gostaria de entrar em trabalho de parto naturalmente, que viemos conversando isso em todas as consultas, que geralmente a primeira gestação demora mesmo, que... até semana que vem, doutor, te dou uma resposta na semana que vem...



Só a Maysa pra me entender...

Enfim, chupa essa manga cheia de fiapo e verde!! Agora tenho uma semana pra parir, ou induzir o parto ou ter uma cesárea.

Sobre a indução, seria colocar um remédio na perereca e aguardar o trabalho de parto, sem ter nenhuma certeza de que o bebê vai encaixar, de que o trabalho de parto vai evoluir e há chances de terminar numa cesárea de toda forma. Detalhes científicos e opiniões, vide google. Eu não sou especialista e nem quero.

Minha opinião, ainda acho que vou parir naturalmente. Hoje tenho ultra pra acompanhar peso, líquido amniótico e sei lá mais o que. 

Enquanto isso, continuarei caminhando, yogando, drenando, transando, quicando na bola, rebolando e todos os gerúndios que minha saúde permitir!

Quarta, dia da minha DPP é minha última consulta. Se a pressão continuar, acho que farei uma cesárea... não serei menos mãe por isso. E também não quero saber sua opinião. Desculpe. Grosseria à toa. Eu avisei...

Provavelmente, meu próximo post será sobre o parto...

Cruzem os dedos, rezem/orem por mim, que já deu tudo certo!

Ah, meu filho, se você soubesse que mundo lindo te aguarda... sairia num espirro!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Período de Luto

É uma coisa tão louca passar por essa situação...

Na minha cabeça já tive 4 abortos:

- o primeiro aos 19 anos, quando senti uma cólica imensa no metrô, quase desmaiei, e quando cheguei em casa vi sair uma coisa bem estranha e disforme de dentro de mim. Liguei pro meu pai, que é ginecologista, e ele disse que poderia ter sido um aborto espontâneo. Pode não ter sido, mas sofri ali.

- O segundo foi aos 32 anos, quando já havia 1 ano que tentava engravidar do meu marido, e tive um gravidez tubárea. Foi um luto enorme, uma dor imensa. Tenho até uma tatuagem para homenagear meu primeiro bebê real que se foi.

- O terceiro foi aos 34 anos, após o negativo gigante que ganhei no beta da minha primeira FIV. Nossa, como chorei, como achei que Deus não queria que eu fosse mãe, como me culpei, como sofri. Mas resolvi seguir em frente.

- O quarto foi na segunda tentativa de FIV no mesmo ano. Dois negativos em 1 ano. Triste.

Aí você pode pensar: "Mas se deu negativo, você não tava grávida!" Ok, fala isso pra minha cabeça, pro meu corpo... fala isso depois de ver seus bebês sendo inseridos no seu útero. Quero ver...

Foram 4 lutos, 4 enterros, 4 vezes que caí e levantei. 

Em todos eles precisei de um período pra me recompor. Precisei chorar muito, precisei do ombro do meu marido, precisei me enfiar no trabalho pra esquecer. Mas passa, tá?

Nunca pensei em desistir! Eu não iria desistir, só se o meu médico me mandasse parar. E ele não mandou.

Na última vez que recebemos o não já tínhamos viagem marcada pra Indonésia. Já havíamos ido mais de uma vez pra esse país tão cheio de energia. Mas cada vez é diferente, E dessa vez vivemos momentos únicos.

Primeiro fomos pra uma ilha absurdamente linda, chamada Mentawai. O lugar foi completamente destruído naquela Tsunami horrorosa que aconteceu. Chegar lá e ver que não existe pra onde ir se houver outro desastre, estar num paraíso daqueles tipo Off mesmo e ver o que restou do que existia antes do mar lavar tudo tem uma energia incrível. E ficamos tipo uns bichinhos mesmo, já que nossa bagagem foi extraviada e ficamos a base de doações dos hóspedes do resort por uma semana. Ali me reconectei com Deus, com sua força e seu poder, ele me mostrou de novo o meu lugar, minha importante insignificância nesse mundo. Deus se mostrou pra mim através de uma natureza exuberante, do silêncio e da solidão, da força da destruição e da necessidade de reconstrução.

o resort que ficamos em Mentawai (foto da internet)

Partindo de lá, já transformados e com a bagagem em mãos, fomos a Bali. E lá visitamos um templo que sempre tive vontade de ir. Chama-se Tirta Empul, é o templo das águas sagradas, e nós acertamos o dia de ir, pois era o dia do ritual de purificação,

Ouvimos toda a história de como aquela nascente era sagrada, como seria feito o ritual de purificação e nos propomos a ir como se fôssemos hindus. Não fomos pra tirar fotos e postar em redes sociais. Fomos vivenciar de verdade aquela energia. E foi lindo. Foi intenso. Agradecer, meditar e pedir.

As fontes de água sagrada do Tirta Empul(foto da internet)
Existe uma ordem para passar nas fontes e em cada uma delas uma parte do seu corpo, da sua mente ou da sua alma é purificado. É extasiante. É incrível.

Voltamos da Indonésia purificados, reconectados e com a certeza de que o melhor estava por vir.