domingo, 4 de junho de 2017

5 meses - 21 semanas

21 semanas e 5 dias,



Doideira contar o tempo assim, né? Coisa de grávida mesmo, a gente é tudo diferentona.

Depois que passei das famigeradas 12 semanas, tudo melhorou.

Já não enjoo mais com frequência, só muito de vez em quando. Pelo contrário, sinto uma fome de leão! O sono melhorou muito, a disposição voltou. Já voltei a praticar Neopilates, caminho 3 vezes por semana, faço drenagem 2 vezes por semana e yoga 2 vezes. A vida tá corrida, mas tá boa.

Meu corpo está completamente diferente, mas já tô me acostumando a ser mais pesada mesmo.

Cólicas, sinto poucas. Parecem mais gases e às vezes parece que o útero tá esticando e por isso que dói. Gosto de pensar positivamente. Quando dói eu paro. Deito, respiro, e passa.

Engordei 5 kg até agora, na última consulta tinham sido 3,5 kg. Não tomei esporro do médico, mas vamos ver dessa vez. Refiz meus exames sanguíneos e estou com anemia, acho que vou começar a tomar ferro.

Essa semana tem morfológica e consulta. E sexta entro de férias. Ufa! Respira por mim, alguém??

Tá puxado!


Já sinto o Lucas mexer bastante. Ele me chuta com frequência e gosto bastante da sensação.

Fora a fome e as mudanças externas, a vida está bem normal, ou seja, bem corrida. Portanto, estou bem ansiosa pelas férias pra curtir um pouco mais esse momento mágico. Que só eu acho, a maioria das pessoas acha nada demais estar grávida.

Fiz duas viagens já - Lucas será do mundo. Fomos a Santos de ônibus, que dá uma noite de viagem, e fui a Natal de avião, são 3 horas de vôo. Foi desconfortável, porém tranquilo. Já estou fazendo uso da minha condição para conseguir prioridade em filas e ajudinhas com o peso.

Não comprei muita coisa pro meu filho porque ganhei muuuuuita coisa. Roupinhas, bebê conforto, carrinho, redinha, berço de tela, já temos. Quartinho pronto, não temos ainda. Mas teremos, pós férias.

Não sei se terei tempo de voltar aqui pra contar das consultas dessa semana, mas volto depois, com certeza. Por hora, deixo como registro as fotos da evolução da barriga e uma postura linda que fiz com meu marido pra mostrar pro Lucas como os pais dele sempre foram radicais.

Té breve!


Barriga, peitos e sorriso, tá tendo!




Foto de um ensaio com a Chaynala Moret


Carta para meu filho

Filho,

Há exatos 3 meses estamos juntos.
Vivendo em simbiose. Desenvolvendo, crescendo e amadurecendo. Juntos.

Queria eu poder escrever algo fugindo de todos os clichês da maternidade. Mas como fazer isso, se pela primeira vez todos eles fazem sentindo pra mim?

Já te amo tanto! E que amor é esse? Platônico? Não te vi, não te conheço, não consigo visualizar suas formas na minha imaginação. Eu tento, mas parecem imagens borradas de algum bebê que já vi em algum lugar. Não é você.

Te amo antes de tudo isso. Te amo desde que você era um amontoado de células se dividindo dentro de mim. Quando você não tinha forma ainda. Te amo desde que você tinha 8 células, 3 dias de vida e apareceu pra mim numa TV.

Todo esse amor inexplicável que só aumenta. Cada vez que tenho a oportunidade de ouvir seu coração. De ver uma imagem borrada um tanto surreal numa tela em preto e branco, em uma sala gelada, cada movimento seu entrou na minha memória para sempre.

Cada mudança no meu corpo, na minha mente e na minha vida. Estamos mudando juntos. A cada dia. Já não imagino minha vida sem você.

Sei que não somos um. Matematicamente não nos pertencemos, estamos contidos um no outro. Somos um interseção de conjuntos: eu, você e seu pai.

Estamos juntos nessa aventura que se chama vida.

Estamos nos preparando para te apresentar o mundo. O nosso mundo. E te ajudar a escolher o seu.

Sei que temos muito pela frente. Todos nós. Que ainda vamos precisar uns dos outros por alguns anos, mas de alguma forma a vida irá nos separar.

Seja por nossas escolhas, ou pelos ciclos inevitáveis de vida e morte. Mas nesse momento, meu amor, só desejo que você tenha força, que lute, cresça e se desenvolva saudável.

Estamos te esperando com tanto amor que não saberíamos explicar ou mensurar.

Te alimentarei, te vestirei, te cuidarei, te amarei, e farei tudo isso de graça, sem te cobrar nada. Simplesmente pra ter a alegria de ver o teu sorriso ao descobrir como é bom ter uma vida, ser amado, sentir.

Quero ser uma boa mãe pra você. Mas cometerei muitos erros. Não me julgue, serão por não saber como lidar com esse amor novo e assustador. O desconhecido paralisa, cega, desespera.

Já te demos um nome, espero que goste de ser chamado de Lucas. Provavelmente usarei pouco esse nome, te chamarei de meu amor, meu príncipe, meu filho! E não se assuste com esse pronome possessivo, MEU. Porque na verdade do pertencimento, eu que serei SUA.

Te amo eternamente,

Mamãe 
21/4/17

terça-feira, 11 de abril de 2017

Fim do primeiro trimestre... e os medos continuam!

Tô bem sumidinha...
😊
Já deve ter mais de um mês que não escrevo nada, mas isso reflete o momento da vida. Tudo voltando ao normal significa que estou na correria, que passo o dia para lá e para cá, resolvendo coisas e tentando dar conta de tudo.



Fazendo uma referência à última postagem, não tive mais borras!!! Glória!!! Continuo sentindo algumas cólicas, alguns dias mais que outros, uma dor bem baixa, mais frequente do lado esquerdo. Mas os médicos dizem que faz parte, que o útero está crescendo. Eu acredito...

Os enjôos melhoraram significativamente. Isso quer dizer que estou comendo como uma louca. Acho que engordei em 15 dias o que não engordei em 3 meses. Tô aguardando a bronca do médico no fim de abril pra tomar vergonha na cara! Por enquanto tô comendo com vontade!


O sono diminuiu e a disposição está voltando. Uns dias mais outros menos. Estou caminhando ao menos 2 vezes por semana.Caminhando! Logo eu! Corredora! kkkkk Acho meio chato, mas às vezes sinto cólicas pós caminhada, sinto um cansaço tremendo. Por enquanto é o que dá. Ainda não voltei a malhar real. Não fiz abdominal, não faço grandes esforços. Por causa das cólicas que me assustam.

Voltei a dar aulas mas não demonstro muitos exercícios. Tenho ficado moída no fim do dia.


Estou fazendo drenagem linfática duas vezes por semana. Já sinto inchaço, mas é um momento delicioso. Voltei a ser mulherzinha e fazer depilação, sobrancelhas e unhas.

Posto isso, vamos falar sobre a última ultra. A famigerada TN - translucência nucal. Essa ultra é super importante pois alerta para possíveis alterações genéticas, especialmente a Síndrome de Down. Ela é feita medindo o espaço da nuca, e deve ser menor que 2,5mm, meu médico disse 3, mas já li 2,5 mm em algum lugar. 

Também verificamos o tamanho do colo do útero (indica a probabilidade de parto prematuro), a irrigação do útero para a placenta, alguns vasos que podem alertar para eclâmpsia, vê a formação do osso nasal, além de ver o sexo do bebê, dependendo da época em que você faz.

Fiz com 12 semanas e 5 dias. Estava tudo ótimo, Graças a Deus!!

Achei minha TN alta, 2 mm, mas meu médico falou que é bobagem, que está tudo ótimo.

Os outros parâmetros estão perfeitos também, é simplesmente um alívio!!

Conseguimos ver o sexo do nosso bebê e é um MENINO!!Eu já sentia desde o começo que seria um machinho! Lindo e sapeca, ficou de costas o tempo todo impedindo que fizéssemos uma foto que prestasse dele. Mas conseguimos perceber uma coisa: o muleque é bem dotado!! hahahah


Manda nudes!!


Hoje escrevo com 14 semanas. Minha barriga já cresceu bastante, as mamas nem se fala, e o Lucas está com mais de 7 cm com toda certeza (ele tinha 6,5 na ultra).

Vamos pra nossa primeira aventura familiar. Passaremos o feriado da Semana Santa em Santos, na casa da família do papai. Vamos comer como se não houvesse amanhã e ser felizes nos mostrando pro mundo.

Meu médico liberou a viagem. Pediu para que eu levantasse a cada 2 horas para esticar as pernas, mas vamos dormindo no ônibus leito. Acho que vai ser bem suave!!

Apesar do maior perigo de aborto espontâneo ter passado, ainda não me sinto super à vontade. Os fantasmas me perseguem e tento ter o máximo de cuidado possível. Acho que esse medo nunca vai passar.

O que tem me ajudado demais e deixado meus dias mais felizes é participar de um grupo de mamães, todas com quase a mesma idade gestacional. Nos conhecemos no chat do baby center, um aplicativo para acompanhar a gravidez, criamos o grupo e hoje somos íntimas sem nunca termos nos visto. Sinceramente, foi uma das melhores coisas que me aconteceu! Nós conseguimos rir dessa fase, dos anseios, há sempre alguma pronta pra ajudar a outra, trocamos informações importantes e temos sempre um ombro amigo pra acalmar naquela hora do desespero. Além de ter como falar de gravidez o dia inteiro sem parecer chatas!! Amo minhas novas amigas!!

Por enquanto é isso...

Espero voltar logo com mais boas novidades...

Barriguinha aparecendo =)

quarta-feira, 22 de março de 2017

Pra não dizer que não falei das borras...

E finalmente os enjôos melhoraram!!! Que marravilha!!

Olha, uma delícia acordar se sentindo bem, poder tomar aquele café da manhã!! Não ficar enjoada e salivando o dia inteiro!! Ooohhh benção!!



A fome veio com tudo e já bati dois pratos de feijoada num dia de fúria!!

Tava me sentindo tão bem, que às vezes batia uma neura, tipo... será que tô grávida??

A disposição voltou com tudo! Bem-estar era meu sobrenome!! Um luxo!!

Até a libido voltou!! Ueeeeeepaaaa!!!

Aí que veio o problema... resolvemos dar aquela namoradinha de leve pra matar a saudade né?

Fiquei tão bem que passei roupa (sentada), fiz yoga (leve) e quando fui tomar aquele banho exxxperto pra ir na drenagem, quem eu encontro???

Sangue.

PQP.


Pra falar a verdade nem liguei muito porque afinal... bem, afinal... aaahh, vocês entenderam!

Mas aí o dia foi passando, o sangue sumiu. Fiquei de repouso. De novo. E passou. 

No dia seguinte, lá vem a borra. Que borra chata, cara. Na boa. Como de madrugada tive umas cólicas, que nunca sei se são cólicas ou é a bexiga que parece que já tá menor, fiquei preocupada.

Mas fui dar aula, vida que segue. E a borra não parou. Daí no almoço saiu um tripinha coagulada. Pronto. Desespero.



Partiu emergência!

Mas antes me preparei, né? Almocei, separei uma revista, tomei umas doses de paciência e lá vou eu pra Unimed.

Até que fui atendida rápido, uns 30 minutos. O médico nem fez o toque e já pediu a ultra. 

Aí que mofei. Umas duas horas, fácil.

Tô lá deitada, sozinha, naquela sala escura. A médica mexe pra lá e pra cá e diz: "Não tô vendo nada..." EU devo ter feito uma cara tão feia que ela se apressou em complementar: "Nada de errado" Ufaaaaa... não me mata, amorrrrr!!!

Enfim, o meu baby está bem, está grande, está bem preso, coração batendo a 175bpm, tá medindo 44mm, e tem um belo perfil!! hahaha Dá uma olhadinha e diz se são meus olhos:

Hello, World!!!
Na ultra diz que ele tá com 11 semanas e 2 dias. Mais que as minhas contas, mas isso é outro assunto. Farei um post sobre esse tema.

Voltei com o resultado no médico. Com várias questões:

1 - A borra foi por causa do sexo? Provavelmente, mas não podemos afirmar com certeza.
2 - Então, o que pode ter sido? O ultrogestan que você toma, por exemplo, pode deixar seu colo do útero mais sensível.
3 - Devo parar de namorar então? Não. mas os sangramentos podem voltar. Pare pelo menos até a borra sumir.
4 - O que são essas cólicas? Gravidez.
5 - Então devo ficar tranquila se acontecer de novo? Estou sendo muito psica de vir na emergência já que é normal? Normal não é. É comum. E você deve vir sim sempre que tiver qualquer sangramento.
6 - O que eu devo fazer agora? Evite esforço e relação sexual.
7 - Defina esforço, por favor. Carregar peso, subir escada...

Ok, doutor. Obrigada.

Hoje tenho consulta de pré natal e tenho mais uma lista de perguntas a fazer.

Depois volto aqui pra contar. Mas, por hora, estou aliviada por não ser uma mãe psicopata que corre pro hospital com qualquer coisa. E valeu demais ver essa carinha linda de perfil, né nom? 

domingo, 12 de março de 2017

O lado B da gravidez - o que ninguém te conta

Pra começar vamos deixar uma coisa bem clara: cada mulher é um ser único e especial e cada gravidez também é única.

Então não dá pra generalizar. Tem gente que sente um monte de coisa, tem gente que sente nada e quando descobre que tá grávida, já tá parindo.

Outra coisa a se esclarecer é que a maioria dos sintomas não tem muita explicação. Sendo assim,da mesma forma que você vai ao médico e ele te diz na cara dura: "É virose", tudo na gravidez é resumido a: "São os hormônios".

Neste caso, talvez por minha gravidez ser diferente, meio induzida, tomei e continuo tomando um monte de hormônio, EU ESTOU COM TODOS OS SINTOMAS. Aeeeeewww!!!



E vamos parar de romantizar, porque fácil não é. Lembro quando minha irmanzinha engravidou com 16 anos, ela sofreu muito. Vivia no hospital, ficou pele e osso. Eu, de longe, achava que era frescura. Que minha mãe exagerava e mimava ela. Mas meu bem, tô pagando a língua! E pior, sozinha. 

Pra começar, ninguém quer ouvir uma gestante reclamando. Ainda mais se ela fez um tratamento pra isso. Afinal, não era seu sonho!? Aguenta aí, pô! Mas entendam, ninguém tá reclamando de tá grávida, ninguém tá reclamando do bebê, a reclamação é da INDISPOSIÇÃO.

Se você leu as postagens iniciais (veja aqui sobre mim), citei anteriormente que sou uma mulher super ativa, Pratico várias atividades diferentes e meu trabalho, inclusive, envolve diretamente atividade física, Resumindo: não sou preguiçosa. Mas o primeiro sintoma de todos foi exatamente A PREGUIÇA. Preguiça de existir, de viver, de respirar. Preguiça de ler, de ver tv, de falar, de comer. Somado à preguiça crônica, ou até o responsável por ela, o CANSAÇO. Cansava pra subir os 15 degraus da minha casa. Sei o número porque eu contava. De verdade. Vamos la, você consegue, só faltam 5! E, como citei no post anterior, fui obrigada a ficar 15 dias de cama devido a uns sangramentos que ocorreram. Ou seja, juntei a fome com a vontade de comer.


Aí você deve pensar: Que maravilha! Ficar em casa, fazendo nada! Que sonho! Primeiro que não é nada disso. Bate logo uma ansiedade por causa do sangramento. Peguei um tique nervoso de olhar a calcinha a cada 10 minutos que ainda não consegui perder. Não tive muito sono, só cansaço e preguiça, o que acabou gerando mais ansiedade por ficar em casa sozinha o dia todo. E outra, sou dona do meu negócio, e apagar incêndio de casa é muito pior do que evitá-los. É estressante!

Mas nada disso, nada mesmo, foi pior do que esse sintoma que infelizmente ainda não me deixou:
O ENJÔO.

Meeeeuuu Deeeuuusss, quê que é isso?? Eu acordo enjoada, Enjôo no meio da manhã, no almoço, no meio da tarde e, muitas vezes, antes de dormir. Enjoei das coisas que mais comia: ovo, tapioca e queijo. E aí você tem que comer né, more? Você tá gerando uma vida né não? E outra, se você não comer vira um ciclo vicioso de mais enjôo. Pelo que li, os especialistas acreditam que eles decorrem dos hormônios, especialmente o bhcg. Rapaz, o meu deve tá alto, viu? E, pra piorar, muitos ARROTOS, um pouco de TONTURA, e PRISÃO DE VENTRE. Quem consegue beber água enjoado? Vomitar foram poucas vezes, mas quando aconteceu foi terrível, porque não melhora. Não consigo cozinhar. E comer comida da rua é ruim pra caramba! Marido perdeu uns pontinhos por não saber cozinhar... Pior, sinto vontade de comer as coisas que não posso, tipo japonês e carne mal passada. Credo, que fase!!!

Se você bebe álcool, imagine sua pior ressaca. Pronto. Assim que me sinto diariamente.


Que combinação né? Mas calma que não acabou. Tem a parte psicológica da parada.

LABILIDADE EMOCIONAL, nome técnico para quem muda de humor toda hora. Prazer, eu. Uma hora mega feliz com meu baby aqui dentro, na outra #chateada porque não estou me exercitando, na outra chorando igual manteiga derretida vendo programa de esporte, na outra numa ira sem fim porque o marido não sabe cozinhar. Gente, é o pânico. Mas vamos levando, meditando, tentando. Hoje até me exercitei e criei coragem de escrever, tá vendo?

Hoje estou entrando na décima semana. Continuo com todos os sintomas, mas já estou me acostumando. O mais novo sintoma é SANGRAMENTO NA GENGIVA sempre que passo o fio dental. Minha dentista já havia me alertado, e começou mesmo. Graças a Deus não houve mais nenhum sangramento, nem cólica. 

Fisicamente, minhas mamas estão grandes e inchadas. Enfim uma coisa boa, né? Tô com uns peitos bonitos pra caramba, mas meus tops não cabem mais confortavelmente. Minha barriga cresceu pouco, mas a cintura tá sumindo. Não sei se é por causa do bebê ou se engordei nesses 15 dias de cama. Meu cabelo tá meio ressecado, mas a pele tá bem boa. E a libido deu uma diminuída, mas tenho me esforçado.

Então é isso. Ansiosa pelo término do primeiro trimestre pra chegar o momento de me sentir linda, barriguda, bem disposta, fazendo tudo por aí, malhando, fazendo drenagem e tudo que sempre sonhei que seria minha gestação.

Enjoei

segunda-feira, 6 de março de 2017

O limbo

E então se passou a fase tensa, já fizemos a ultra e vimos que tá tudo bem. 

Fui na primeira consulta de pré-natal e me despedi do médico que fez possível gerar uma vida em mim.

Teoricamente, hora da diversão!!


Aniversário do marido chegou e comemoramos muito. Foi uma semana antes do carnaval e recebemos em nossa cidade um dos blocos que mais amo do Carnaval de rua do Rio de Janeiro, Cordão do Boitatá. Frequentamos esse bloco juntos desde que namorávamos, e esse ano não vamos ao Rio, por motivos óbvios. Mas não é que o bloco veio até nós?

Enchemos uma bag de Brahma e Brahma zero (porque não sou obrigada a ficar na água), levei um bolo de churros delicioso, uma cadeira de praia e muita animação. Curtimos muito com nossos amigos. Ele então, com motorista da rodada!! Foi à forra!!


Semana seguinte chegou carnaval! Fantasias prontas, curtimos a sexta a noite com muita animação!! Sábado e domingo fomos a praia, sem bloquinhos. Aqui na cidade não tem muita animação. Não vou mentir que fiquei meio de mal humor por causa disso. Meus amigos todos bebendo na praia e achando tudo ótimo e eu lá, careta, sem graça. Nem a Brahma zero descia mais com tanto enjôo que comecei a sentir. Não suporto o cheiro de cerveja. Enjoei...

Domingo à noite, antes de dormir, senti uma cólica muito forte, bem estranha, bem no baixo ventre, doía até a vagina, o ânus, bem louco. Fui fazer um xixi e vi o papel sujo de sangue, sangue mesmo, vermelho. Entrei em desespero. Chorei. Fui de novo. Saiu menos, mas saiu.

Acordei arrasada.


Aí descobri que estou no limbo. Meu médico da FIV já me deu tchau, meu médico daqui não me assumiu completamente, logo, não tenho seu celular. Quem poderia me ajudar??
Liguei pro meu herói, meu pai! Mas nem ele me atendia, tadinho, deveria estar aproveitando o carnaval e a filha aperreando ele.

Continuou saindo uma borra café ao longo do dia. Com cólicas. Tava tão preocupada que chamei meu médico do Rio. Prontamente ele me respondeu que não havia de ser nada grave, mas que eu fosse na urgência fazer uma ultra pra garantir que tava tudo certo com o bebê.

Fomos. Segunda de carnaval.

Mofamos 1 hora pra ser atendidos pelo GO de plantão, mesmo com a pulseira amarela, que na minha opinião deveria ser alarmante, mas parece que não. Ele fez o toque e o colo do útero estava fechado. Ok. Agora a ultra. Fiquei animada por fazer logo, mas... a médica da ultra que estava de sobreaviso não estava lá. Era meio dia e ela só chegaria depois das 13:30h. E eu lá, com cólica, com borra, preocupada, enjoada, sentada numa cadeira desconfortável, afinal, não era pra ficar de repouso?

Meu marido foi comprar um lanche, só consegui tomar o suco de laranja. Não descia. Tava enjoada. Bom sinal, né?

Nesse meio tempo o doutor-herói-painho me ligou. Disse pra ficar tranquila, não haveria de ser nada. Mandou repousar e manter o ultrogestan que tô tomando.

14h a médica da ultra chega, reclamando que sempre tem atendimento no plantão dela, afirma que não veio antes pois tinha acabado de sair do hospital quando ligaram pra ela, que desse jeito ela teria que ficar direto lá... a gente se sente um pedaço de merda. É meu filho, porra!!! Meu filho tão amado e desejado!! E você aí de preguiça de trabalhar! Afinal, a gente paga esse plano pra quê?


Troca de roupa, deita na cama, abre a perna, ai, doeu! Homem sabe lidar melhor com isso, por incrível que pareça. Mulher é mais grosseira. Mexe pra lá e pra cá. Silêncio, tensão. Estalar de dedos do marido. Fui inundada por um oceano de sentimentos, lembrei que foi ali mesmo que fizemos a primeira ultra da nossa vida. E meu marido estava na mesma cadeira, com o mesmo olhar perdido na sala, estalando os dedos, quando a médica falou que não via nada no útero. Eu tremia muito. Não conseguia parar. Mas dessa vez era diferente. E essa médica-preguiçosa-reclamona logo falou que o neném tava lá, agarradinho em mim, sem alterações.

Ufa! Alívio e sorrisos, trocamos um olhar de ternura. Escapamos. O bebê estava agora com o dobro do tamanho (14mm) e a ultra acusava 8 semanas. Ela chamou meu marido pra ver e ali já esqueci que ela era preguiçosa. Ela colocou o coração pra ouvir e ele pôde, finalmente, perceber a vida que bate aqui dentro. Nosso pedacinho de amor.

Saímos de lá pra retornar ao GO. Mas havia uma fila com 5 gestantes e ele tava no centro cirúrgico. Não quis esperar. Fomos embora descansar.

Fiquei de repouso mesmo. Só levantava pra fazer xixi e tomar banho. Continuei enjoando muito. Algumas cólicas persistiram e a borrinha cor de café continuou saindo, às vezes com uns coágulos, vermelho não.

Mandei um email pro meu médico do pré-natal porque é a única forma que tenho de falar com ele. Ele respondeu que era normal e que se sentisse cólica e sangue vivo fosse na urgência. Fiquei confusa.

Meu aniversário chegou e passei de cama. Mas feliz. Quarta de cinzas. 35 anos. Grávida. Meus amigos vieram para um bolo surpresa e me senti muito amada, apesar de desconfiar desde o começo. 



Na quinta a borra parou. O papel começou a vir limpinho. Agradeci muito a Deus. Tenho rezado bastante.

Continuei de repouso mesmo assim, mas comecei a levantar, me alimentar na mesa. E resolvemos que no sábado voltaríamos a dormir na nossa cama, no andar de cima.

Acordei muito enjoada, vomitei de manhã, depois vomitei no almoço. Senti cólicas intensas no baixo ventre. Tomei buscopan pra aliviar.

Quando íamos subir à noite, fui fazer xixi e lá estava o famigerado sangramento. De novo. Que triste. Voltamos à estaca zero.

E eu no limbo. 

Mandar um email no fim de semana não parecia um boa ideia. Falar com  meu médico do Rio me deixa sem graça porque ele já me liberou. Então... paiêeeeee!!!!

Painho prontamente me respondeu. Não precisava voltar ao hospital. Manter o descanso e o remédio. Ele disse que pode ser uma reação tardia à implantação: reação decidual. O doutor google me deixou confusa com suas explicações e deixei isso pra lá. Como esse último sangramento veio exatamente no dia que eu ficaria menstruada, resolvi considerar que meu corpo ainda está se acostumando a não precisar sangrar, então, às vezes ele se confunde. Boa essa, né?

Na mesma noite parou de sair. Nos dias subsequentes um pouquinho de borra, algumas cólicas e tomei uns buscopan.

Continuo de cama e tento ficar calma. Só quem passou por isso sabe do que tô falando.

Uma mulher normal pode perder um bebê e tentar outro. Nós não, temos um longo caminho até aqui. e não seria exagero dizer que trocaríamos um braço, uma perna, um rim, em prol dessa vida que cresce aqui dentro!

Continuo em orações para que meus próximos posts sejam apenas sobre os enjôos que me consomem, o peito que cresce de vento em popa e a próxima ultra que vai dizer o sexo do nosso pimpolho!

Amém?

Força, foco e fé

Médicos e ultrassons - agora você acredita?

Gente, é muito louco, pode perguntar a qualquer mulher que tenta engravidar várias vezes, principalmente que já fez outras FIVs e deu negativo, e no meu caso em específico, que já teve um positivo e na verdade era um negativo (gravidez ectópica), você só acredita VENDO.


Então, fiquei uns bons 15 dias sofrendo com a ansiedade até ir ao médico e conseguir o pedido da ultra.

Nesse meio tempo, sofri mais pressão ainda de amigos tão ansiosos quanto eu que achavam que eu tinha que ir fazer por conta própria. Enquanto minha família era contra, pois por ser muito recente poderia não aparecer muita coisa.

Exatamente um mês depois da TEC, fui na primeira consulta com meu GO que vai fazer o pré natal. Achava que ia fazer a primeira ultra com ele e por isso arrastei meu marido comigo. Mas não rolou. Só o pedido mesmo. Saí meio decepcionada, porém super decidida que não esperaria outro dia.

Fui na clínica que mais amo aqui na minha cidade, com o médico mais competente e fofo que conheço. Ele descobriu a gestação tubárea e de lá mesmo, da sala do US, ligou pro meu pai e conversou com ele, me acalmou, me abraçou e enxugou minhas lágrimas, Nutro um carinho imenso pelo Dr. Gustavo.

Como conheço geral lá, cheguei causando, pedindo pelo amor de Deus e todos os santos um encaixe. E consegui!!! Ninguém quer ganhar um terçol, né, gente? hehehe

Cheguei às 14h e às 15h entrei na sala. A cara do doutor já me animou tanto!!! Apesar de estar sozinha, sim, eu fui sozinhaaaaa! Sou sinixxxxtra mexxxxmo! Senti um carinho imenso por aquela sala, por aquela máquina e pelo meu querido doutor que outrora me viu chorar de tristeza.

Conversamos um pouco, contei das tentativas anteriores que foram frustradas, perguntei da família dele, ele perguntou sobre meu pai e aí vem todo aquele ritual: troca de roupa, deita na cama gelada, abre as pernas, lá vem o peru de plástico... eu tremia feito vara verde. Será que eram dois???

E aí apareceu a imagem. Uma bolinha. Pequenininha. Mas tava lá. Meu filho!! Chorei. Chorei mesmo. E tô chorando agora de novo. Porque é um milagre, sabe? É um sonho, é o fim de uma luta de três anos. Lá estava meu pequeno milagre, grudadinho em mim.

Nosso bebê, 6,5 semanas, 7 mm, 127 bpm


Aí o doutor colocou pra ouvir o coração! Meu Deus!!! O som mais lindo que já ouvi na minha vida!!! Que coração acelerado!! Queria ter gravado! Mas na hora eu só conseguia rir, chorar e tremer!!

O doutor falou que tava tudo bem, perguntou se queria que eu ligasse por meu pai e quase morri de rir!! Não, dessa vez eu mesma ligo!!hahaha

Saí de lá e liguei pro meu marido. Ele estava tão ansioso. Ficou mudo. Esperando meu suspense terminar. E quando eu falei que estava tudo bem ele respirou aliviado. Consegui ouvir sua respiração do outro lado da linha. Desliguei e fui chorando dirigindo e orando e agradecendo. Não aguentei e parei em frente ao trabalho do mais novo papai. Ele desceu, nos abraçamos, beijamos, e mostrei a primeira foto desse serzinho que já amamos tanto.


Dois dias depois fui no meu médico da FIV, fizemos outra ultra, vimos o coração bater, mas não ouvimos. Fiquei meio decepcionada porque queria que meu marido ouvisse, mas não rolou. O médico então me liberou pro pré natal e ali acabava nossa relação de 1 ano de fé e amor. Dei beijos e abraços nas atendentes, recepcionistas e em todos que encontrei na rua! Mentira! Mas bem que poderia!

Estava radiante! O mundo estava mais bonito! Nós fomos abençoados. Seremos pais.


Nosso filho será surfista acrobata, sim ou com certeza?